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Apelido galego · documentado desde 1505

ALMUIÑA

Do árabe múnya, «o desejado»,
à horta fechada de uma aldeia de Lugo.

Esta não é uma página que lhe venda um pergaminho. É o que se pode provar sobre o apelido Almuiña, com a fonte ao lado de cada número, e também o que não se pode.

12.687º
posição entre os apelidos de Espanha
545
pessoas com este apelido (censo de 2025)
5
lugares com este nome na Galiza
521
anos de rasto documental
Armorial pintado
Armas recolhidas pelo Padre Crespo, Blasones y Linajes de Galicia (1997)

↓ JPG ↓ MP4 ↓ SVG

Capítulo I · A palavra

Antes de ser apelido, almuiña é uma palavra

Quase todos os apelidos perderam o significado pelo caminho. Almuiña não: continua a ser uma palavra viva do galego e está no dicionário da Academia. Quem se apelida Almuiña apelida-se, literalmente, «horta».

É assim que a define a Real Academia Galega

almuíña, s. f.: Horta, xeralmente pequena e cerrada, na que adoita haber árbores froiteiras.

Dicionario da Real Academia Galega

Em português: «horta, geralmente pequena e fechada, onde costuma haver árvores de fruto». A própria Academia usa-a num exemplo que cheira a verão: «Plantou uns pexegueiros na almuíña» — plantou uns pessegueiros na almuiña.

Não é uma horta qualquer. É a fechada, a que fica ao lado de casa, a que tem muro ou sebe e árvores de fruto lá dentro. Na Galiza do minifúndio, essa parcela era a despensa da família e muitas vezes a única coisa verdadeiramente própria num mundo de terras aforadas.

A raiz: mil anos e dois mil quilómetros

O apelido não nasce na Galiza. Nasce em árabe.

  1. مُنْيَة munya Árabe clássico. Significa «desejo, anseio, aquilo que se almeja». A mesma raiz م-ن-ي de tamanni, «desejar».
  2. المُنية al-múnya Com o artigo al- colado, como aconteceu com tantas palavras. Em al-Andalus deixa de ser uma ideia e passa a ser uma quinta: horta, árvores de fruto, água e casa de recreio.
  3. almuíña almunia · almuinha · almúnia O empréstimo entra nos romances peninsulares com o sentido de quinta de lavoura, horta fechada. Seis formas irmãs, uma por língua.
  4. Almoiña 1505 · primeira vez por escrito É assim que o apelido aparece escrito na primeira vez a que se lhe pode pôr data: o foro de Santa María da Franqueira a María de Almoiña, 1 de maio de 1505. O galego hesitou muito entre oi e ui — como em moito/muito ou loita/luita — e ao longo de todo o século XVI o apelido escreve-se com oi. A forma em ui, a de hoje, só se impõe no XVII: por isso quem procura «Almuíña» nos catálogos não encontra nada anterior a 1603.
  5. ALMUIÑA «o da Almuiña» Um lugar chama-se assim, uma família vive ali e acaba por levar o nome do sítio. Apelido toponímico: não diz quem se é, diz de onde se é.

O que era exatamente uma almunia

Não era uma horta de subsistência. Em al-Andalus, a almunia era uma quinta periurbana que fazia duas coisas ao mesmo tempo: produzia — fruta, vinha, hortaliça, com o seu sistema de rega e o seu tanque — e servia de retiro à aristocracia e à própria família real, que saía da cidade para descansar, caçar e escrever versos enquanto vigiava a colheita.

Daí o duplo sentido da palavra árabe. Munya é «o desejado» e também «a horta»: o sítio para onde se quer ir. É difícil encontrar um apelido com uma etimologia mais agradável de se levar.

E como chega essa palavra à Galiza?

Aqui é preciso ser honesto, porque esta é a pergunta incómoda. A presença andalusina na Galiza foi brevíssima — apenas umas décadas do século VIII — e a toponímia galega tem poucos arabismos. O mais espalhado, de longe, é aldea (do andalusino aḍ-ḍáyʿa), com mais de uma centena de registos; depois vêm atalaia, albariza e pouco mais. Almuíña é um desses poucos.

O que se pode afirmar com segurança é de onde vem a palavra: o Toponomasticon Hispaniae, projeto universitário de toponímia, dedica uma ficha ao étimo MÚNYA e recolhe o galego almuíña a par do português almuinha, do castelhano e aragonês almunia e do catalão almúnia, todos com o sentido de «quinta».

O que não se pode afirmar é que tenha sido um andalusino a plantar a primeira almuiña de Taboada. O verosímil é um empréstimo lexical agrícola: a palavra viaja de sul para norte com a coisa que nomeia — uma maneira concreta de fechar e plantar uma horta — pela via do latim agrícola, do romance vizinho e dos documentos monásticos. Viajou a técnica e, com ela, o nome.

Já se sugeriu alguma vez um parentesco com muíño («moinho») por semelhança fonética. Não se sustenta: a aceção avalizada pela Real Academia Galega e pela lexicografia histórica é a de «horta», e a cadeia a partir de munya está documentada em toda a Península.

As seis irmãs românicas de uma palavra árabe

Do mesmo étimo árabe saíram seis apelidos, um por língua peninsular. Postos os números do censo espanhol ao lado, aparece uma coisa que ninguém conta: a forma galega é a mais numerosa de todas.

ApelidoLíngua ou território Posição INE 1.º apelido 2.º apelido
ALMUIÑA Galego 12.687 282 268
ALMUNIA Castelhano e aragonês 13.604 257 348
ARMUÑA Castelhano (Guadalajara) 36.636 66 91
ARMUNIA Castelhano (Leão) 69.955 26 24
ALMOINA Catalão e valenciano 74.389 24 13
ALMOYNA Catalão, grafia antiga 76.928 23 9

INE, frequências de apelidos, censo a 1 de janeiro de 2025. A correspondência entre formas e línguas é a da ficha do étimo MÚNYA do Toponomasticon Hispaniae.

Almuiña ganha a Almunia por 25 portadores. De toda a descendência românica de munya, a que melhor aguentou foi a que se foi viver para o canto mais chuvoso e mais distante de al-Andalus.

Ficha do apelido

  • Tipo: toponímico. Nasce do nome do lugar onde a família vivia, não de um ofício nem de um pai.
  • Origem da palavra: árabe munya «desejo» → hispano-árabe al-múnya «quinta de horta» → galego almuíña «horta fechada com árvores de fruto».
  • Território: Galiza. Focos em Lugo (Taboada–Chantada–A Ulloa e A Mariña), Pontevedra (A Paradanta–O Condado) e Ourense (O Ribeiro).
  • Grafias: Almuiña, Almuíña e Almuina, sem o ñ, em registos estrangeiros e em bases de dados que não o digerem.
  • Parentes: Almunia, Armuña, Armunia, Almoina, Almoyna e o português Almuinha.
  • Pronúncia: [al.muˈi.ɲa]. Quatro sílabas, acento no i, e o ñ final — o nosso nh — bem pronunciado.

Capítulo II · A terra

Cinco lugares, não quatro

Quase todas as páginas que falam deste apelido repetem que há quatro sítios chamados Almuiña. Descarregámos o Nomenclátor de Galicia 2026 inteiro — 38.762 topónimos oficiais — e procurámos nós. São cinco.

Lugo

Almuíña

Paróquia de Gondulfe (San Lourenzo)
Concelho de Taboada

O único dos cinco que vai sem artigo. E o concelho com maior densidade do apelido em toda a Galiza: 11,31 por mil.

Lugo

A Almuíña

Paróquia de Santo Acisclo do Valadouro (Santo Acisclo)
Concelho de Foz

Entrada nova: não estava no Nomenclátor de 2003 e está no de 2026. Na Mariña, a um passo de Galdo, onde dois Almuiña pleiteiam em 1722 e 1776.

Pontevedra

A Almuíña

Paróquia de Arbo (Santa María)
Concelho de Arbo

À beira do rio Minho, no Condado, terra de vinha e de lampreia. 8 portadores hoje, 2,99 por mil.

Pontevedra

A Almuíña

Paróquia de Valeixe (Santa Cristina)
Concelho de A Cañiza

No coração da Paradanta. 8 portadores, 1,57 por mil.

Pontevedra

A Almuíña

Paróquia de Salcedo (San Martiño)
Concelho de Pontevedra

No rural do próprio concelho de Pontevedra, hoje quase cidade.

Pesquisa insensível a acentos sobre as nove colunas do Nomenclátor de Galicia 2026 (Xunta de Galicia, aprovado a 30 de março de 2026), descarregado do portal de dados abertos. Cinco coincidências exatas, nem uma a mais.

Taboada é o único sem artigo

Quatro dos cinco são A Almuíña, com artigo, como se nomeia um lugar de que ainda se lembra que era uma coisa: a horta. O de Gondulfe, em Taboada, é Almuíña e mais nada. Perdeu o artigo, que é o que acontece a um nome comum quando passa tanto tempo a ser nome próprio. E acontece que Taboada é, de longe, o concelho onde o apelido mais pesa em toda a Galiza.

O de Foz acaba de passar a existir oficialmente

No ficheiro, as colunas do Nomenclátor de 2003 estão vazias para A Almuíña de Santo Acisclo do Valadouro: o lugar só aparece na revisão de 2026. Ou seja, há um sítio chamado Almuíña que entrou na nomenclatura oficial da Galiza este mesmo ano. O apelido mais velho do mundo a estrear topónimo.

Quatro focos, e um estava escondido

Cruzando os topónimos com a distribuição do apelido e com os documentos de arquivo, o mapa deixa de ser uma mancha e passa a ser quatro comarcas concretas:

  1. Taboada – Chantada – A Ulloa (Lugo). O berço. Taboada tem 11,31 Almuiña por cada mil habitantes; Antas de Ulla, 8,48. É aí que está o topónimo sem artigo e é aí que está, em 1734, Pedro Antonio de Almuíña a pagar renda na jurisdição de Taboada.
  2. A Paradanta – O Condado (Pontevedra). Arbo, A Cañiza, Crecente, Salvaterra: o rio Minho, a vinha e dois dos cinco topónimos.
  3. O Ribeiro (Ourense). Com Ribadavia como praça-forte: 28 portadores, 5,62 por mil.
  4. A Mariña de Lugo. Este não o conta ninguém. Há uma A Almuíña em Foz, há microtoponímia com o nome em Barreiros e há dois pleitos do século XVIII — 1722 e 1776 — que situam Almuiñas em Galdo, paróquia de Viveiro, e em San Miguel de Souto. Topónimo e documento a apontar para o mesmo sítio, a 100 km do foco de Taboada.

O solar que toda a gente cita e ninguém viu

Quase todos os sítios de heráldica dão por certo que a linhagem procede de uma Torre da Almuíña em Santa Cristina de Valeixe (A Cañiza). Fomos verificar. Essa torre não está no catálogo do Patrimonio Galego, que nessa paróquia regista quatro bens e nenhum deles é uma torre; não está na relação de pazos — os solares galegos — do próprio Concello da Cañiza; e não está na historiografia local do Condado de Salvaterra.

A cadeia da citação acaba sempre no mesmo sítio: os García Carraffa e o barão de Cobos de Belchite, daí para os sítios comerciais e daí para toda a parte. E essas mesmas fontes contradizem-se entre si: outra versão situa o solar em Crecente e dá-o por arruinado pelos Sotomayor. O mesmo acontece com um suposto pazo da linhagem em Landrove: não aparece em catálogo nenhum.

E há um caso em que convém ser taxativo. A Casa Grande de Almuíña de Arbo não é o pazo dos Almuiña. É uma casa no lugar de A Almuíña, e todos os seus donos documentados têm outro apelido: Estévez de Puga y Méndez desde 1665, depois Vieytez, Rivera e Giráldez. Os escudos que conserva leem-se como armas de Durán, Puga, Correa, Feixoo e Ribeiro. Nenhuma é de Almuiña. Que uma casa esteja em A Almuíña não diz nada sobre quem a teve, porque almuíña é uma palavra comum: significa horta.

Curiosamente, o foco que de facto se sustenta é o que ninguém citava. Landrove, em Viveiro, aparece documentado três vezes em três arquivos diferentes: dois estudantes em Alcalá (1792 e 1803), a licença de embarque para Cuba de 1829 e um pleito de 1832. Não há torre, mas há família.

O mapa a sério

313 concelhos com a sua geometria real. A ouro, os cinco que têm um lugar chamado Almuiña; a intensidade da cor mede quantos Almuiña há por cada mil habitantes segundo o Instituto Galego de Estatística.

Toque num concelho para ver o seu dado

Almuiña por cada 1.000 habitantes 0 → 11,31 ‰

Geometria: limites municipais oficiais (georef-spain-municipio). Dados do apelido: IGE, distribuição municipal a 1 de janeiro de 2023, apenas concelhos com mais de 5 portadores.

Capítulo III · O rasto

Do pergaminho até hoje

O Arquivo do Reino de Galicia guarda mais de duas dezenas de pleitos com um Almuiña lá dentro, de 1505 a 1786: foros, pagamentos de maravedis, heranças, um pároco, um licenciado, duas mulheres a agir por direito próprio. Não são feitos heroicos. São exatamente o que as pessoas faziam: discutir pelo que era seu diante de um escrivão. E é por isso que sabemos que ali estiveram.

A pista estava escrita de outra maneira

Durante muito tempo deu-se 1603 como o primeiro vestígio do apelido. É verdade a meias, e a metade que falta muda o século de partida. Procurando no catálogo do arquivo com a grafia moderna, Almuíña, antes de 1603 não aparece absolutamente nada. Zero registos. Mas o apelido está lá antes: está escrito Almoiña, Almoíña, Almoina.

Refeita a pesquisa com as grafias antigas, o rasto recua até 1505 e aparecem documentos que não constavam de lista nenhuma: o foro da Franqueira a María de Almoiña, um pleito entre três Almoíña em 1558, a vinha de Juan da Almoina em 1577, o clérigo de 1587, o morador de Banga de 1596.

E há um que ata tudo. Em 1630, Pedro de Almoíña pleiteia «sobre posesión de una heredad en el lugar de Almuíña, en la jurisdicción de Taboada» — sobre a posse de uma herdade no lugar de Almuíña, na jurisdição de Taboada. A ligação entre a grafia antiga e o topónimo não é esta página que a faz: é o próprio catálogo do arquivo, que indexa esse pleito sob o descritor geográfico Almuiña (lugar, San Lourenzo de Gondulfe, Taboada, Lugo).

Lição de método, e vale para qualquer apelido: quem procura o seu apelido como se escreve hoje encontra metade. Antes de a ortografia se fixar, cada escrivão escrevia o que ouvia.

1505

O vestígio mais antigo

A 1 de maio, o mosteiro de Santa María da Franqueira afora a María de Almoiña e ao marido — o pergaminho está esbatido justamente aí e o catálogo lê-o com dúvidas: «Estevo? de Parga?» — o casal da Rotea, em Santa María de Casteláns e Santa Mariña de Covelo, por duas fanegas de pão ao ano. Repare no pormenor: quem leva o apelido é ela.

Arquivo do Reino de Galicia · PLAN-4805
1558

Pleito entre parentes

Domingo de Almoíña, morador da terra de San Martiño, contra Pedro de Almoíña, pelos bens que ficaram de Álvaro Lorenzo de Almoíña. Três portadores do apelido num mesmo pleito, meio século antes do primeiro «Almuíña».

Arquivo do Reino de Galicia · Caixa 20600-19
1577

O fruto de uma vinha

Juan da Almoina contra Melchor Fernández, sobre o fruto de uma vinha. Um dos dois documentos que apareceram ao procurar pela grafia antiga e que não constavam de nenhuma lista anterior.

Arquivo do Reino de Galicia · Caixa 1147-68
1587

Um clérigo e o seu benefício

Vicente de Almoíña, clérigo, contra o juiz apostólico Domingo Ramos, em amparo de posse do benefício de San Cosme de Gondel. Força eclesiástica: o clérigo pede à Audiencia que trave o juiz da Igreja.

Arquivo do Reino de Galicia · Caixa 26813-5
1596

Um morador de Banga

Sebastián de Almoina, morador de Santa Baia de Banga. O outro achado da pesquisa pela grafia antiga — e em Banga, justamente onde a genealogia situava o nascimento documentado de 1720.

Arquivo do Reino de Galicia · Caixa 45520-3
1603

O primeiro «Almuíña»

Alonso de Almuíña com María de Prado, viúva, sobre pagamento de maravedis. Durante anos teve-se por o documento mais antigo do apelido. O que é de verdade é o mais antigo com a grafia moderna: no arquivo, antes desta data, não há um único «Almuíña».

Arquivo do Reino de Galicia · Caixa 26115-69
1630

O documento que ata o apelido ao lugar

Pedro de Almoíña, curador dos filhos de Alonso de Almoíña, contra Inés de Fontao, «sobre posesión de una heredad en el lugar de Almuíña, en la jurisdicción de Taboada». Não somos nós que o dizemos: o arquivo indexa-o sob o descritor Almuiña (lugar, San Lourenzo de Gondulfe, Taboada, Lugo). Apelido e topónimo, atados pelo catálogo.

Arquivo do Reino de Galicia · Caixa 21708-7
1633

Irmãos em Vigo

Domingo de Almoíña e irmãos contra Juan González Herrero, sobre bens na jurisdição de Vigo.

Arquivo do Reino de Galicia · Caixa 24393-130
1637

Pleito por uma herança

Juan Andrés e Juan de Almuíña litigam pelos bens de María Fornelos, mulher de Lorenzo de Castro.

Arquivo do Reino de Galicia
1689

Execução por dívidas

Pedro Almuíña e consortes, com Felipe Rivera, numa execução por maravedis.

Arquivo do Reino de Galicia
1694

Um licenciado em Porriño

Antonio Almuíña, licenciado, perante a justiça de Porriño pelo cumprimento do testamento de Domingo de Abeledo. O primeiro Almuiña com estudos que aparece por escrito.

Arquivo do Reino de Galicia
1701

Um pároco e o seu foro

Antonio Almuiña Rivero, pároco, pleiteia contra o Provisor de Santiago acolhendo-se ao foro eclesiástico.

Arquivo do Reino de Galicia
1716

Rendas em Villarmeá

Andrés de Almuíña com Victorio Rodríguez de Villarmeá, sobre pagamento de renda.

Arquivo do Reino de Galicia
1720

Nascimento em Banga

O nascimento documentado mais antigo localizado pela investigação genealógica: uma pessoa do apelido nascida em Banga, O Carballiño (Ourense).

1722

Almuiña na Mariña

Os moradores de Negradas contra Pedro de Almuiña e Salvador Morales, pelo juízo de residência — a sindicância ao oficial cessante — tomado na jurisdição de Galdo, paróquia de Viveiro. É a primeira prova do foco da Mariña.

Arquivo do Reino de Galicia
1732

Partilha de bens

Luis Félix de Almuíña e consortes, na partilha dos bens de María de Veneizdes.

Arquivo do Reino de Galicia
1734

Raízes em Taboada

Pedro Antonio de Almuíña, pagamento de renda na jurisdição de Taboada: a mesma comarca onde está o topónimo sem artigo e onde o apelido continua hoje a ser mais denso.

Arquivo do Reino de Galicia
1741

Feliciana toma posse

Feliciana de Almuíña, na posse dos bens de Juan de Almuíña e María de Pazos. Uma mulher com o apelido, a agir por direito próprio perante a justiça.

Arquivo do Reino de Galicia
1755

Outro pagamento de maravedis

Pedro de Almuíña, sobre pagamento de maravedis. Mais um documento da série do século XVIII, localizado ao refazer a pesquisa.

Arquivo do Reino de Galicia · Caixa 13208-93
1762

Arrolamento de bens

Antonio Almuíña com Nicolás Francisco Pernas, sobre os bens remanescentes de Dominga Vizoso.

Arquivo do Reino de Galicia
1776

A casa de Galdo

Antonio Almuíña y Barata, direito de preferência na venda de uma casa, lugar e bens na freguesia de Galdo, termo de San Miguel de Souto. Segunda prova do foco da Mariña, meio século depois da primeira.

Arquivo do Reino de Galicia
1786

O último da série do Reino de Galicia

José Almuíña, auto ordinário sobre a posse de Estrar de Tojo. Com ele fecha-se a série de pleitos do Arquivo do Reino de Galicia, vinte e um ao todo entre 1505 e 1786. A partir daqui o rasto continua, mas noutros arquivos.

Arquivo do Reino de Galicia
1792

Dois estudantes em Alcalá

Duas certidões de estudos da Universidad de Alcalá, em processos consecutivos, de dois moradores de San Xiao de Landrove (Viveiro): Nicolás Almoyna (1792–1804) e Antonio Almuina Barata (1803–1805). O segundo apelido, Barata, é o mesmo do Almuiña que em 1776 pleiteava por uma casa em Galdo.

Archivo Histórico Nacional · UNIVERSIDADES,436,Exp.152 y 153
1829

Enfim, um documento americano

Antonio Francisco Almoyna, morador de San Xiao de Landrove (Viveiro), casado com Teresa Cadórniga y Boado, pede licença de embarque para que o filho passe a Cuba. É o primeiro documento americano localizado do apelido, e fecha um vazio que esta página reconhecia ter. Que é a mesma família prova-o outro pleito, de 1832, onde o Arquivo do Reino de Galicia lhe chama «Antonio Francisco Almuíña, marido de Teresa Cadórniga».

Archivo General de Indias · ULTRAMAR,353,N.25
s. XIX

O barco, já com nome

A emigração para Cuba, Argentina e Venezuela esvazia a Galiza durante um século. Agora essa história tem pelo menos um nome e uma data: a licença de 1829 da casa de Landrove.

1943

Nasce o historiador

Celso Almuiña Fernández, em Garabelos, paróquia de Mariz, Chantada — em pleno foco lucense do apelido. Chegará a catedrático em Valladolid.

1946

Nasce o arquiteto

Carlos Almuíña Díaz, em Santiago de Compostela.

1962

Nasce o médico de Baiona

Jesús Vázquez Almuíña, «Sito». Presidente de câmara, conselleiro e presidente do porto de Vigo.

1997

O blasonamento, publicado

O Padre Crespo recolhe as armas do apelido em Blasones y Linajes de Galicia (Ed. Boreal, vol. II, p. 58). É o texto que se desenha nesta página.

2015

Um Almuiña na Saúde galega

Vázquez Almuíña assume a Consellería de Sanidade (2015–2020) e cabe-lhe gerir a pandemia.

2023

Regresso à câmara

«Sito» Vázquez Almuíña recupera a presidência da câmara de Baiona com maioria absoluta.

2026

Um topónimo novo e um censo pior

O Nomenclátor de Galicia incorpora A Almuíña de Foz, e o censo do INE confirma que o apelido perdeu portadores. No mesmo ano em que ganha um lugar, perde gente.

Até onde chegam as provas

1505 é o documento mais antigo localizado, não a data em que o apelido nasceu: um apelido toponímico existe muito antes de alguém o escrever. Cada data desta lista leva a sua cota, para que qualquer pessoa possa pedir o maço e comprová-lo. E se aparecer alguma coisa anterior, será posta aqui com a sua cota também.

Capítulo IV · As armas

O brasão, desenhado como se desenhava

Quase tudo o que circula pela internet com o nome de «brasão Almuiña» é uma ilustração genérica saída de um modelo. Aqui está o mesmo blasonamento — o mesmo, sem lhe mudar uma vírgula — resolvido cinco vezes, cada uma como o teria resolvido um ofício diferente: o iluminador de um livro de armas, o entalhador de uma casa fidalga, o gravador de um armorial impresso, o canteiro de uma fachada e a tipografia de uma folha que envelheceu num arquivo.

Cinco escudos, um só blasonamento

O mesmo parágrafo de Crespo, resolvido cinco vezes. Nenhuma é mais «verdadeira» do que as outras: um blasonamento é um texto, e cada ofício e cada suporte resolveram-no à sua maneira. Escolha abaixo a que quiser ver.

Armorial pintado

1 / 5

Armorial pintado

Esmaltes planos, ouro brunido e perfil negro, como a lâmina de um livro de armas iluminado.

↓ JPG ↓ MP4 ↓ SVG

Carregue na lâmina para a ver em ecrã inteiro. O vídeo tem som: pode desligá-lo no altifalante.

As cinco são recriações feitas para esta página, não peças históricas: não se conhece nenhuma pedra de armas nem nenhuma gravura antiga deste apelido. Histórico é o texto do blasonamento, e é o mesmo nas cinco. O SVG do primeiro é traçado vetorial: amplia-se a qualquer tamanho sem perder um fio.

Peça a peça

O que é preciso dizer sobre os brasões de apelido

Na tradição hispânica as armas pertencem a uma linhagem e a uma casa concretas, não a todos os que partilham um apelido. Não existe «o brasão dos Almuiña» no sentido de caber por direito a qualquer pessoa que se chame assim. Quem lhe vender o contrário, com o brasão emoldurado e um pergaminho, está a vender-lhe uma decoração.

O que existe mesmo, e é o que aqui se vê, é um blasonamento associado ao apelido nas obras de referência: o Padre Crespo publica-o em 1997 em Blasones y Linajes de Galicia, e aparece igualmente na tradição do Blasonario de la Consanguinidad Ibérica. Isso é um dado bibliográfico verificável, e é como tal que se apresenta.

Dito de outro modo: este brasão é património cultural do apelido e merece estar bem desenhado. Mas não é um título, e esta página não lhe vai dizer que seja.

Capítulo V · Os números

Quantos são e quão raros são

Aqui não há números copiados de outra página. Descarregou-se o ficheiro de frequências do INE — 14,8 MB, 86.512 apelidos, censo a 1 de janeiro de 2025 — e contou-se.

Almuiña, no censo de 2025

282pessoas têm-no como primeiro apelido
268como segundo apelido
5têm-no a dobrar
545portadores distintos em Espanha

E está a recuar

Quase todas as páginas sobre este apelido continuam a dar a posição 11.743 e 294 portadores. São números de uma edição anterior do INE. Com o censo a 1 de janeiro de 2025, o apelido desceu para a posição 12.687 e perdeu 12 portadores de primeiro apelido e 35 de segundo. Não é uma tragédia: é o que acontece a um apelido rural numa comarca que envelhece. Mas é o dado, e aqui diz-se.

ConceitoNúmero que circulaCenso 1-I-2025Variação
Posição INE11.74312.687−944
1.º apelido294282−12
2.º apelido303268−35

É mesmo raro?

É, mas sem exagerar, que é o que toda a gente faz. O INE publica 86.512 apelidos — todos os que têm 20 portadores ou mais. Almuiña é o 12.687. Isso deixa-o nos 14,7 % mais frequentes: há 73.825 apelidos publicados mais raros do que o seu.

Dito em pessoas: em cada milhão de espanhóis, seis têm Almuiña como primeiro apelido. E por cada Almuiña há 5.131 García.

Os que pesam exatamente o mesmo

No censo há um punhado de apelidos com exatamente 282 portadores de primeiro apelido, os mesmos que Almuiña. Entre eles, dois que soam:

IRIBARNE · MINGOTE · GUADALAJARA · IRAZOLA · CARABAÑO · XANDRI · PUERTES · DELFÍN · BUJEDO · RIOLOBOS · ABADAL · CUADRAT · SALARICH · PIEDROLA

Há em Espanha tantos Almuiña como Iribarne — o segundo apelido de Fraga — e tantos como Mingote.

Onde nasceram

Pontevedra
104
Lugo
71
Ourense
53
A Coruña
22
Barcelona
6
Cádiz
5

Pessoas com Almuiña como primeiro apelido segundo a província de nascimento (INE). Por comunidades: Galiza 250, Catalunha 6, Andaluzia 5. Fora da Galiza só há rasto de emigração interna.

Galiza, concelho a concelho

Vigo tem o número maior — 113 — mas é uma cidade de 300.000 habitantes: ali o apelido está diluído. Onde de facto pesa é em Taboada, com 11,31 por mil: um em cada 88 habitantes.

ConcelhoProvíncia Portadores‰ habitantes
VigoPontevedra1130,38
TaboadaLugo3011,31
RibadaviaOurense285,62
ChantadaLugo222,75
LugoLugo190,19
Antas de UllaLugo168,48
PontevedraPontevedra140,17
BaionaPontevedra131,04
Santiago de CompostelaA Coruña130,13
A CoruñaA Coruña120,05
OurenseOurense120,12
MonterrosoLugo123,34
GondomarPontevedra90,60
O CarballiñoOurense90,64
ArboPontevedra82,99
A CañizaPontevedra81,57
PonteareasPontevedra80,35
AmesA Coruña70,22
Cerdedo-CotobadePontevedra71,23
CrecentePontevedra62,98

IGE, distribuição municipal de apelidos a 1 de janeiro de 2023, soma do primeiro e do segundo apelido; apenas concelhos com mais de 5 portadores. Total na Galiza: 436, frente aos 481 que contava o censo do ILG–USC em 2001.

Capítulo VI · O mundo

Os que partiram

Entre meados do século XIX e meados do XX, a Galiza esvaziou-se para a América. Os Almuiña embarcaram nos mesmos navios que toda a gente. Hoje o apelido está em sete países e três continentes.

374portadores no mundo
7países
3continentes
104fora de Espanha

Onde há Almuiña

Espanha
270
Argentina
77
Cuba
10
Panamá
7
Venezuela
7
Estados Unidos
2
França
1

Base mundial de apelidos apellidos.de (2026). Por continentes: Europa 271, América do Sul 84, América do Norte e Central 19. Os números mundiais e os espanhóis vêm de fontes e de anos diferentes: por isso não batem certo quando se somam, e por isso se dão em separado.

Atenção a este mapa: são os países onde o apelido está documentado nas bases consultadas, não todos aqueles onde há Almuiña. Um apelido de quinhentas pessoas passa por baixo do limiar de quase qualquer estatística: pode haver Almuiña no Chile, no México, no Uruguai, na Suíça ou na Austrália sem que base nenhuma o registe. O que se pode afirmar, isso sim, é o contrário: fora da Galiza e da emigração galega não há origem do apelido em parte nenhuma. Todo o Almuiña do mundo sai da mesma horta.

ES

Espanha · 270

A casa. 72 % dos Almuiña do mundo continuam aqui, e quase todos na Galiza.

AR

Argentina · 77

O segundo lar do apelido, de longe. O grosso vive na província de Buenos Aires, filho da emigração de finais do século XIX e princípios do XX. De lá saiu a escultora Susana Almuiña.

CU

Cuba · 10

O primeiro grande destino do galego transoceânico: a ilha da avó de meia Galiza. A pequena colónia Almuiña vem daqueles vapores entre Vigo e Havana.

PA

Panamá · 7

Destino clássico do emigrante galego do século XX, ligado ao comércio e ao istmo.

VE

Venezuela · 7

Em meados do século XX, a Venezuela foi o «oitavo concelho» da Galiza. A emigração do pós-guerra levou o apelido a Caracas.

US

Estados Unidos · 2

Presença mínima. Ali o ñ perde-se pelo caminho e o apelido aparece quase sempre como Almuina.

FR

França · 1

Um único portador registado. A fronteira europeia do apelido.

O vazio americano, fechado

Até há pouco esta página reconhecia não ter um único documento americano do apelido. Já o tem. No Archivo General de Indias, entre os processos de licenças de embarque para Cuba, há um de 22 de abril de 1829: Antonio Francisco Almoyna, de San Xiao de Landrove (Viveiro), casado com Teresa Cadórniga y Boado, pede licença para que o filho passe à ilha. O que o torna redondo é poder provar-se que é a mesma família: três anos depois, em 1832, o Arquivo do Reino de Galicia chama-lhe «Antonio Francisco Almuíña, marido de Teresa Cadórniga». Dois arquivos, duas grafias, uma só casa. Continuam sem aparecer listas de passageiros completas, e isso, sim, fica pendente.

Capítulo VII · Os nomes

Almuiña com biografia

Um apelido de 545 pessoas não dá para uma enciclopédia. Dá para isto: um catedrático, um arquiteto, um médico que acabou conselleiro do governo galego, uma economista que se fez escultora aos cinquenta, um presidente de câmara, um funcionário do Lugo isabelino, um carpinteiro processado em 1936 e absolvido, e um alfabetizador cubano morto aos trinta e seis. Chega bem.

História

Celso Almuiña Fernández

Garabelos (Mariz, Chantada), 1943

Historiador, nascido no coração do foco lucense do apelido. Catedrático de História Contemporânea da Universidad de Valladolid, hoje emérito, e académico correspondente da Real Academia de la Historia por Simancas desde 1998. A sua tese, La prensa vallisoletana durante el siglo XIX (1808-1894), publicada em 1977 em dois volumes e mais de mil e seiscentas páginas, continua a ser referência na história da imprensa espanhola.

Arquitetura

Carlos Almuíña Díaz

Santiago de Compostela, 1946

Arquiteto. Presidiu à delegação compostelana do Colexio Oficial de Arquitectos de Galicia (1999–2007). Assinou, com Rafael Baltar e José Antonio Bartolomé, o edifício dos tribunais de Santiago (1993–1995) e a ampliação da Faculdade de Ciências Políticas. Escreveu Debuxo Técnico COU (1983).

Medicina e política

Jesús Vázquez Almuíña, «Sito»

Baiona, 1962

Médico pela USC. Presidente da câmara de Baiona (2004–2015 e de novo desde 2023), conselleiro de Sanidade da Xunta (2015–2020) durante a pandemia, presidente da Autoridade Portuária de Vigo (2020–2023) e deputado no Parlamento da Galiza.

Arte · diáspora

Susana Almuiña

Buenos Aires → Virginia (EE. UU.)

Escultora e pintora. Licenciou-se em Economia em Buenos Aires e trabalhou trinta anos no Fundo Monetário Internacional antes de se refazer como artista: MFA pela Virginia Commonwealth University (2009), professora adjunta na mesma universidade e exposições em Washington, Richmond e Baltimore. O ramo argentino do apelido, com obra.

Política local

Ángel Rodal Almuíña

Baiona

Primo de Jesús Vázquez Almuíña, tomou o testemunho na presidência da câmara de Baiona entre 2015 e 2023. Entre os dois, o apelido esteve quase vinte anos seguidos à frente do concelho.

Cuba · diáspora

José Almuiña González

La Habana, 1941 – Isla de Pinos, 1977

Alfabetizador durante a Campaña de Alfabetización e depois quadro político: membro do Buró Nacional da Unión de Jóvenes Comunistas desde 1966 e primeiro secretário do comité regional do partido em Isla de Pinos. Morreu aos 36 anos num acidente de viação, quando regressava de uma missão de trabalho. A sua ficha está na EcuRed; com um apelido tão raro, é quase certo que descenda da emigração galega para Cuba.

Administração

Antonio Almuiña

Lugo, 1848

A 8 de outubro de 1848 a Gaceta de Madrid publica as suas nomeações: «D. Antonio Almuiña, individuo de la comisión de examen de cuentas atrasadas de Lugo con 5000 rs., oficial tercero segundo del gobierno político de Lugo con 7000» — membro da comissão de exame de contas atrasadas de Lugo, com 5000 reais, e oficial terceiro segundo do governo político de Lugo, com 7000. Um Almuiña funcionário no Lugo isabelino, com nome, cargo e ordenado, no boletim oficial do Estado.

Guerra civil

Benigno Almuiña Claro

Crecente → Gondomar, 1936

Carpinteiro, natural de Crecente e morador em Gondomar. Aos 21 anos foi julgado em Vigo por «auxilio á rebelión» — auxílio à rebelião. O processo terminou em arquivamento provisório: não foi condenado. É o único Almuiña que consta da base de dados de vítimas do projeto interuniversitário Nomes e Voces.

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Capítulo VIII · O caderno

Coisas que só se veem a olhar para os dados

01

Zero resultados antes de 1603

Procure «Almuíña» no catálogo do Arquivo do Reino de Galicia e limite a data a antes de 1603: não sai nada. O apelido existia; estava escrito Almoiña. Mudar a grafia adianta o rasto quase um século.

02

A primeira é uma mulher

No documento mais antigo, o foro de 1505, quem leva o apelido é María de Almoiña. O marido tinha outro apelido — o pergaminho está esbatido e o catálogo lê «Estevo? de Parga?». O apelido entra na história por linha de mulher.

03

O artigo perdido

Quatro dos cinco lugares são A Almuíña. O de Taboada é Almuíña e mais nada. Perder o artigo é o que acontece a um nome comum quando passa séculos a ser nome próprio.

04

Um topónimo estreado em 2026

A Almuíña de Santo Acisclo do Valadouro, em Foz, não constava do Nomenclátor de 2003. Entrou no de 2026. Há um lugar chamado Almuíña que é oficialmente mais novo do que este século.

05

A galega ganha a todas

Das seis formas românicas do árabe munya, a galega é a que tem mais portadores em Espanha: 282 frente aos 257 de Almunia. A versão mais periférica veio a ser a mais resistente.

06

Tantos como Iribarne

No censo de 2025 há exatamente 282 Almuiña de primeiro apelido. Os mesmos que Iribarne e os mesmos que Mingote.

07

Um em cada 88 habitantes

Em Taboada (Lugo) há 11,31 Almuiña por cada mil habitantes. É a maior densidade da Galiza: nesse concelho, um em cada 88 habitantes leva o apelido.

08

Almuiña Almuiña

Cinco pessoas em Espanha têm-no a dobrar, de pai e de mãe. Com 545 portadores espalhados por todo o país, terem-se encontrado cinco vezes não é pouca coisa.

09

O domínio com ñ

Este sítio vive em almuiña.com, mas por dentro a internet chama-lhe xn--almuia-0wa.com. É Punycode: o sistema que permite meter um ñ num domínio traduzindo-o para caracteres que os servidores de todo o mundo entendem.

10

Uma besta num brasão

A besta é uma figura raríssima na heráldica hispânica, e bastante pouco cavaleiresca: era a arma que permitia a um vilão derrubar um nobre a duzentos passos. Neste escudo há três, e estão por cima do cavaleiro.

11

Está a encolher

Entre a edição anterior do INE e o censo de 2025, o apelido perdeu 12 portadores de primeiro apelido e 35 de segundo, e desceu 944 posições no ranking. Os apelidos rurais envelhecem com as suas comarcas.

Capítulo IX · As fontes

De onde sai cada coisa

Tudo o que está acima vem de algum sítio. Estas são as fontes e, a seguir, as contas que não batem certo e porquê.

  1. Dicionario da Real Academia Galega — definição de «almuíña» e exemplo de uso.
  2. Nomenclátor de Galicia 2026, Xunta de Galicia — os cinco topónimos oficiais. Ficheiro completo descarregado e pesquisado, não consultado por ouvir dizer.
  3. Toponomasticon Hispaniae, étimo MÚNYA (R. Pocklington, 2024) — ficha do étimo árabe e correspondência das seis formas românicas.
  4. INE, Frecuencias de apellidos (censo a 1-I-2025) — todos os números de frequência e raridade desta página. Ficheiro de 14,8 MB processado aqui.
  5. Instituto Galego de Estatística, apellidos por concello — distribuição do apelido por concelho galego (2023).
  6. Boullón Agrelo & Sousa Fernández, Cartografía dos Apelidos de Galicia (ILG–USC) — o censo de 2001, que permite ver a série ao longo do tempo.
  7. Arquivo do Reino de Galicia (Galiciana) — vinte e um pleitos entre 1505 e 1786, cada um com a sua caixa. Antes de 1603 é preciso procurá-los pela grafia Almoiña.
  8. Crespo del Pozo, Blasones y Linajes de Galicia, Ed. Boreal, 1997, t. II, p. 58 — o blasonamento, palavra por palavra.
  9. Silvestre Petra Sancta, Tesserae Gentilitiae, Roma, 1638 — o sistema de tracejado com que se representam os esmaltes no registo de gravura.
  10. Vicente de Cadenas y Vicent, Blasonario de la Consanguinidad Ibérica — tradição heráldica do apelido.
  11. Diccionario de la lengua española, RAE, voz «almunia» — etimologia da palavra irmã castelhana.
  12. Límites municipales de Galicia — georef-spain-municipio (Opendatasoft) — a geometria real dos 313 concelhos do mapa.
  13. apellidos.de y mondonomo.ai — distribución mundial — presença do apelido por países.
  14. Galiciana — catálogo del Arquivo do Reino de Galicia — o catálogo onde estão, com a sua cota, os documentos de 1505 a 1786. Motor de pesquisa próprio, ligação persistente por ficha e muitos pergaminhos já digitalizados.
  15. PARES — Portal de Archivos Españoles — os arquivos estatais. Atenção: a pesquisa é aproximada por omissão e «almoina» em catalão significa esmola, pelo que contamina os resultados.
  16. Archivo General de Indias, Expedientes de licencias de embarque a Cuba — a licença de embarque para Cuba de 1829, o primeiro documento americano do apelido.
  17. Gaceta de Madrid, núm. 5139, 8 de octubre de 1848 — a nomeação de Antonio Almuiña, com cargo e ordenado.
  18. Nomes e Voces — vítimas da represión en Galicia — a ficha de Benigno Almuiña Claro, processado em 1936 e não condenado.

Notas de método (ou onde estão as costuras)

  • Os números não batem certo entre si, de propósito. Os 545 portadores em Espanha (INE, 2025), os 436 da Galiza (IGE, 2023) e os 374 do mundo (apellidos.de, 2026) vêm de fontes diferentes, com anos diferentes e critérios de contagem diferentes. Somá-los seria inventar. Cada número é dado com a sua fonte e a sua data.
  • O acento oscila. Almuíña e Almuiña convivem na documentação; o INE regista-o sem acento. Nesta página escreve-se Almuiña para o apelido e Almuíña para os topónimos, que é como o Nomenclátor os recolhe.
  • O brasão é um desenho novo. Não é a reprodução de uma pedra de armas nem de uma gravura antiga: é uma interpretação gráfica feita para esta página a partir do texto do blasonamento publicado por Crespo em 1997. Os três registos são fiéis às convenções de cada época, mas o traço é de 2026.
  • Cada data leva a sua cota. Não basta dizer «há um documento de 1505»: é preciso poder pedi-lo. Por isso cada marco da cronologia leva o arquivo e a caixa. E aquilo que não se pôde comprovar — a Torre da Almuíña, o pazo de Landrove, a passagem à Andaluzia — diz-se que não se pôde comprovar, em vez de o repetir.
  • Os dados podem comprovar-se. O Nomenclátor e o ficheiro do INE descarregam-se livremente; as ligações estão acima. Qualquer pessoa pode repetir as contas e desmentir-nos.

Capítulo X · O leitor

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Carlos José Almuiña Jiménez

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